Não fazemos para ocupar o olhar.
Fazemos para sustentar o tempo.
Em meio à pressa do efêmero e ao silêncio do vazio, optamos por ficar. O Presencialismo surge desse ato singelo, porém desafiador: estar presente quando tudo incita ao movimento, persistir quando o futuro nos atrai, insistir quando o mundo exige respostas instantâneas.
A obra não é uma explicação, um show, ou uma promessa. Ela se estabelece como um estado. Algo que não se resolve, não se completa, não se entrega por inteiro de imediato. O significado não é dado; ele se aproxima aos poucos, se afasta, retorna. Como a respiração. Como o caminhar. Como o tempo quando não é mais medido.
Não explicamos, pois a explicação limita. Não seduzimos, pois a sedução distrai. Não competimos, pois a competição banaliza a vivência. Estas não são apenas opções estéticas, mas decisões éticas. A obra não almeja dominar o olhar – busca transcendê-lo.
Quem encontra o Presencialismo não encontra uma imagem para consumo, mas um ambiente para habitar. O observador deixa de ser mero espectador e se torna corpo: corpo que observa, corpo que espera, corpo que sustenta. Sem essa presença física, nada acontece; sem essa partilha no tempo, nada se cria; sem essa constância, nada perdura.
O silêncio não é falta de conteúdo, é uma estrutura ativa. Ele cria espaço, gera tensão, aguça a escuta. A pausa não é uma falha, é matéria viva onde o sentido não é imposto, mas pode surgir. A repetição não é exagero, é um método: retorno consciente, insistência no real, variação sutil que revela o essencial.
O Presencialismo não busca uma clareza imediata nem uma conclusão fácil. Ele mantém a questão em aberto, acolhe o inacabado, confia no tempo como agente de significado. Não se guia pelo alcance, mas pela profundidade; não pelo impacto, mas pela continuidade; não pela imortalidade simbólica, mas pela experiência vivida.
A obra não termina no olhar rápido, não se encerra no entendimento, não se esgota na explicação. Ela tem início quando alguém para. Prossegue quando alguém permanece. Se mantém quando alguém aceita não seguir adiante.
Quem se aproxima desse campo não se torna público, nem audiência, nem métrica. Torna-se corpo. Corpo que olha, que espera, que sustenta. É desse gesto que surgem Os Presentes — não como título concedido, mas como condição assumida. Ser Presente é aceitar o tempo como matéria, o silêncio como estrutura e a permanência como escolha.
Estar presente, aqui, não é um gesto simbólico ou uma encenação.
É uma tomada de posição.
É permanência.
É resistência silenciosa.